COCCIDIOSE

 A Coccidiose é uma doença mundialmente distribuída nas aves ornamentais (canários, periquitos...) e aves silvestres criados em cativeiro. É um protozoário parasita do género Eimeria, multiplica-se no trato intestinal.

Causa danos teciduais, com sintomas de anorexia, peito seco, redução da absorção de nutrientes, desidratação, perda sanguínea e aumento da susceptibilidade a outras doenças.

SINTOMAS DE COCCIDIOSE

Irão depender do tipo de coccídia e a sua localização no intestino das aves, apresentando maior ou menor grau de intensidade e dano tecidual.

Coccidiose duodenal (Intestino Delgado) – emagrecimento, caquexia (peito seco), despigmentação da pele (canários de cor que não pigmentam adequadamente) e a recuperação é lenta.

Coccidiose no Intestino Grosso e Recto – diarreia mucosa até hemorrágica (castanha), mortalidade em torno de 10% em frangos (em canários não se tem percentagem conhecida, podendo ser maior que nos frangos).

Coccidiose Cecal – a presença de coccidiose nesta porção do intestino é demonstrado pelos sintomas graves. Em geral as aves apresentam depressão (sono, passam o dia a dormir), manifestam dor abdominal (respiração acelerada muitas vezes confundida com problemas respiratórios). A ave apresenta-se arrepiada, asas caídas, dorso encurvado, olhos semicerrados e extrema palidez. A diarreia é castanha (hemorrágica).

 Sintomas gerais – fezes pastosas ou com muco, diarreia apresenta-se desde amarela até com estrias de sangue ou preta (sangue digerido), alimento mal digerido, aumento excessivo de apetite, fêmeas suadas no ninho, pela humidade das fezes dos filhotes com diarreia, ninhos húmidos, cloaca suja, problemas de pele e muda. Os primeiros sintomas aparecem no quarto dia após a infecção, quando a segunda geração de esquizontes liberam Merozoítos, ocasionando ruptura do tecido.

LESŐES

Em aves necropsiadas, retira-se o tubo digestivo e observa-se macroscopicamente a mucosa externa e interna. Para cada oocisto que é eliminado nas fezes corresponde a uma célula intestinal morta. Temos lesões intestinais catarrais, hemorrágicas, necróticas em várias porções do intestino e em diferentes profundidades na parede intestinal.

DIAGNÓSTICO

A coccidiose dificilmente é eliminada do plantel, porém os surtos são comuns quando as aves não foram submetidas a um planeamento preventivo antes de entrar na reprodução, através de exames das fezes para diagnóstico e controlo dos efeitos dos tratamentos (Coccidiostáticos ou Coccidicidas) e imunizações (Silvestres e Exóticos prevenção). São comuns surtos após empréstimos de reprodutores, retornos de campeonatos, feiras, aves recém adquiridas ou mudanças bruscas de temperatura.

PROGNÓSTICO

Nas formas agudas o prognóstico é sempre desfavorável pelo grande número de mortes de aves e recuperação lenta dos doentes.

Nas formas subclínicas (presença de oocistos nas fezes sem sintomas) e crónicas o prognóstico é bom, porém com prejuízos na reprodução, verificando-se um grande número de ovos brancos, fêmeas que não reproduzem, filhotes fracos levando-os mesmo à morte.

PREVENÇĂO E CONTROLO

Como havíamos falado os oocisto de coccídias são extremamente resistentes no meio ambiente. Poderemos minimizar os riscos de surtos adoptando várias medidas preventivas, tais como:

Maneio – higiene de gaiolas, comedouros e bebedouros, poleiros, remoção sistemática da matéria orgânica (fezes). Uso de desinfestantes, não para coccídias, mas para agentes bacterianos oportunistas. Para oocistos somente vassouro de fogo.

Nutrição – é comprovado que aves com problemas nutricionais adquirem facilmente doenças. Principalmente papas baratas, por que possuem suplemento proteico, vitamínico e minerais pobres, predispondo as aves a surtos de coccidiose e outras doenças. Deficiência de vitaminas A, B e falta ou mesmo excesso de proteínas são factores nutricionais preocupantes.

Redução do stress – é um tema que daria uma outra matéria, por se tratar de algo complexo. Resumidamente alguns factores stressantes: barulhos, pessoas estranhas, luzes de noite no canaril, cães e gatos, mesmos os de casa, mosquitos, piolhos, principalmente qualquer situação que saia da rotina das aves e que as mantenham em constante alerta. O stress medicamentoso também existe, principalmente o uso, mesmo uma única vez, de pomadas com corticóide (quadriderme), colírio Garasone, ácidos externos (Dolemil) e antibióticos fortes e contínuos. Manter o mínimo de stress e colonizar a flora intestinal com bactérias benéficas (Probióticos), reduzir micotoxinas nas sementes e papas (Aflatox). Papas de qualidade reduzem os surtos de doença e quando houverem, são fáceis de controlar sem muitos óbitos. Quem já não passou pela experiência de perder aquela ave que tinha futuro promissor em campeonatos ou mesmo como reprodutor. O velho e bom ditado prevenir é melhor que remediar deve estar nas nossas mentes quando criamos pássaros de qualidade.